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A inflação em Portugal e na UE. Como nos afeta?

Presentemente, sobretudo nos últimos meses, voltou a estar na ordem do dia a palavra “inflação” como uma das grandes ameaças à vida quotidiana, não só em Portugal, ou na União Europeia, mas mesmo a nível mundial.

A inflação é um fenómeno económico geralmente presente numa economia de mercado, em que os preço de bens e serviços podem subir ou descer, não é necessariamente mau para a nossa vida, a maioria dos economistas defende que uma economia de mercado saudável deve ter uma taxa anual de inflação baixa, mas positiva, na ordem dos 2 a 3 pontos percentuais. O problema começa quando a taxa de inflação fica demasiado alta ou negativa. Na realidade portuguesa, é justamente pelo facto de nos últimos 25 a 30 anos a taxa de inflação ter-se mantido a níveis “saudáveis” que muitos de nós não têm memória desse fenómeno como um problema real. Pois, está a acontecer agora.

O que é a inflação?

Sabendo nós então que numa economia de mercado o preço dos bens e serviços sobem ou descem, a inflação dá-se quando quando a generalidade dos preços sobe em simultâneo, fazendo com que o “preço geral” de bens e serviços fique mais caro. Significa que a mesma “quantidade” de moeda compra menos no fim do período do que comprava.

Como se mede a inflação?

Mede-se através da variação, num determinado período, de um índice que engloba os preços de um cabaz de bens e serviços significativos, no consumidor, chamado Índice de Preços no Consumidor (IPC ou IHPC). Por exemplo, se em Setembro 2021 o IPC era 100 e em Setembro 2022 passou para 110, a inflação homóloga nesse período foi de 10%, significa que preciso agora de 110 Euros para comprar o mesmo que comprava há 1 ano com 100 Euros.

Que impacto tem a inflação na nossa vida quotidiana?

Sendo que se trata de um fenómeno que está integrado no funcionamento global da economia, tem impacto a vários níveis, pois numa economia tudo está interligado e um acontecimento leva a outro e assim sucessivamente.

impactos diretos , como a ameaça perda de poder de compra que daí resulta no período em analise. Por exemplo, se no último ano a inflação foi de 10% e o meu salário nominal subiu apenas 6%, tive uma perda real de poder de compra de 4%.

Existem também impactos indiretos a vários níveis, como nas taxas de juro, principal instrumento utilizado pelos bancos centrais para controlar os níveis de inflação. Isso impacta o preço de todo o tipo de créditos, a remuneração paga pelos bancos nos depósitos, etc.

Pequenos períodos de inflação mais alta, desde que controlada, não têm apenas aspectos negativos, por exemplo, numa economia relativamente desenvolvida com uma classe média dominante, o aumento dos preços dos produtos e aumento simultâneo das taxas de juro, e consequentemente dos depósitos, faz com que as pessoas reduzam o consumo, que está mais caro, e aumentem a poupança, que se torna mais atrativa pois é melhor remunerada em termos nominais, e desta forma estão a potenciar investimento e consumo futuros de melhor qualidade.

Como está a inflação em Portugal e na UE?

Segundo os dados extraídos em setembro de 2022, a taxa de inflação em Portugal está nos 9,8%, acompanhando a média da zona Euro, de 9,9%, e ligeiramente abaixo da UE, 10,9%.

Estes valores, que têm vindo a aumentar significativamente ao longo do ano de 2022, são considerados elevados e têm impacto negativo nas economias, e por isso esta a ser combatido pelo BCE com aumento de taxas de juro.

Períodos de inflação alta podem ter causas do lado da:

  • procura, quando há excesso de liquidez na economia, que faz com que as pessoas aumentem o seu consumo de bens e serviços para patamares que a oferta (produção) não consegue acompanhar, provocando o aumento dos preços.
  •  oferta, quando algum facto ou conjunto de factos provoca redução da produção de um conjunto de bens, provocando depois o aumento do preço desses bens.

A explicação dos atuais altos níveis de inflação está relacionada com diversos efeitos, com impacto mundial, essencialmente ligados a duas situações:

  • O período de pandemia pelo qual passámos  afetou as economias de várias formas. O conjunto de medidas de combate à pandemia provocou graves restrições logísticas, que provocou escassez na disponibilidade de produtos ao consumidor, e consequentemente o aumento de preços de diversos produtos. Na procura, as medidas um pouco por todo o mundo para reativação das economias pós-pandemia causaram excesso de liquidez que começou a criar pressão sobre os níveis de preço.
  • A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, grandes  exportadores de energia (especialmente a Rússia) e de alimentos (ambos), tem provocado ainda mais pressão sobre o nível de preços de energia e alimentos.

Se chegou até este ponto do artigo, deve estar a perguntar-se como combater estes efeitos.

Como posso minimizar os efeitos da inflação na minha vida?

Considerando que os preços dos diferentes bens e serviços não sobem todos na mesma proporção, uma forma de minimizarmos o efeito da inflação é reorganizar a maneira como fazemos a escolha do que consumimos, privilegiando o consumo do que é essencial, e dentro do possível, escolhendo produtos e serviços com menor impacto nos preços.

Podemos também estar atentos aos efeitos indiretos da inflação, como o impacto nas prestações de crédito devido ao aumento das taxas de juro, antecipando esse efeito pela renegociação dos contratos junto do nosso banco ou mesmo transferindo esses créditos para outros bancos que ofereçam condições mais favoráveis.

Por fim, há um aspecto que até pode vir a ser positivo, e que é muitas vezes desplotado nestes períodos de inflação mais elevada, que passa por aumentar a poupança, aproveitando a melhoria da remuneração dos depósitos a prazo e aplicações financeiras. Essa constituição de poupança pode ter origem no aproveitamento de fundos resultantes de redução de consumo supérfluo ou transferindo reservas que possamos ter à ordem, uma vez que este tipo de depósitos não remunera, e portanto todo o dinheiro que tenhamos em depósitos à ordem está a depreciar mais rapidamente nesses períodos de inflação elevada. 

Finalmente, nestes momentos de maior incerteza, pode equacionar a consulta a um especialista para melhor orientação e conseguir uma otimização do seu património.  

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