27 Março 2023

Crédito habitação em Portugal, novos contratos segundo tipo de taxa de juro associada

O mercado português e a percepção da emigração.

Para os que pretendem contratar neste momento crédito habitação em Portugal, há um fator essencial que cabe sempre aos proponentes (quem solicita o crédito) decidir, o tipo de juro associado.

Em Portugal, a esmagadora maioria dos créditos habitação têm sido celebrados com taxas indexadas (variáveis), com base na Euribor 3, 6 ou 12 meses, o que, se por um lado, nos períodos favoráveis, de juros baixos, pode ser uma vantagem por tornar o preço médio do crédito comparativamente mais baixo em relação a mercados com maior incidência  de taxas fixas, por outro lado, nestes períodos de volatilidade, quando os juros sobem, aumenta a pressão sobre a sustentabilidade e a capacidade das famílias em suportar os encargos mais elevados daí resultantes.

O que acontece é que, para grande parte dos emigrantes, dada a percepção de uma maior incidência de contratos de taxa fixa nos seus países de acolhimento, gera-se uma preferência por esse tipo de contratos, mesmo quando se pretende contrair crédito para comprar em Portugal, criando-se dessa forma um desalinhamento entre essa percepção e preferência e a realidade da oferta dos bancos portugueses.

Independentementes das preferências ou percepções pré estabelecidas, a verdade é que não existe uma solução que seja a ideal para todos os cenários, e por isso mesmo é que o mercado disponibiliza diferentes opções, cuja adequabilidade varia consoante o perfil dos proponentes, os objectivos específicos do crédito e também o próprio momento em termos de cenário macro-económico. O papel dos bancos ou de quem aconselha soluções de crédito é apresentar a diferentes opções possíveis, cabendo sempre a quem contrai o crédito, após todos os esclarecimentos, a decisão de optar pela forma que mais lhe convém, se um contrato com taxas indexadas, misto ou de taxas fixas.

Se tivéssemos uma “bola de cristal”, sabendo o que se iría passar a seguir, seria fácil aconselhar contratos baseados em taxas fixas quando as indexantes estivessem em mínimos, garantindo assim o contrato mais “barato” possível ao longo de toda a sua vigência, e propôr soluções indexadas com taxas variáveis quando a indexante estivessem no máximo, garantindo assim a quem contrai o crédito o benefício de aproveitar toda a redução nas prestações em consequência das descidas dos juros que se seguiriam, mas as coisas infelizmente não funcionam assim …

… no mundo real, as decisões são influenciadas por expectativas, e devemos adequá-las justamente à expectativa do que “provavelmente” se irá passar a seguir, dada a informação que temos disponível.

Sendo assim, e para que possamos formar alguma expectativa sobre o que se irá passar a seguir, dado o momento actual, recuperamos o acompanhamento da evolução das indexantes que temos feito em artigos anteriores:

Evolução da Taxa Euribor 12 meses de Fevereiro de 2022 a Fevereiro de 2023

Imagem1

Pode-se ver pelo gráfico que, de facto, a taxa de juro (neste caso Euribor 12) sofreu um aumento muito rápido até Outubro/Novembro, como resposta também às rápidas subidas da taxa de referência (BCE), pela política de combate à inflação, tendo vindo a estabilizar desde então, ainda em fase de subida, mas menos acelerada.

Durante este ano, com a gradual, e esperada, descida da inflação para níveis mais aceitáveis, as taxas de juro, que ainda estão em fase de ligeira subida, deverão estabiliazar, e a partir daí, a perspectiva em debate será a de, a partir de quando poderão voltar a descer.

Perante este cenário, qual a opção mais adequada?

Tal como já temos referido, esta circunstância que se perspectiva de taxas de juro estabilizadas em “alta” durante o ano de 2023 tem levando a que os bancos, incorporando essas expectativas, comecem a apresentar soluções mais adequadas à evolução prevista, garantindo às pessoas a estabiliadade desejada, em prestações fixas, durante o período de previsível volatilidade, passando depois para indexação à Euribor, passados 3, 4 ou 5 anos, permitindo assim que quem contrate os créditos nestas condições, beneficiem da futura descida e estabilização mais em baixa dessas mesmas taxas de juro.

Na realidade, o que os bancos estão a dizer às pessoas é que: sabemos que de momento o crédito habitação está agora, conjunturalmente, mais caro, mas queremos garantir a quem contrate agora um período de segurança e proteção contra novos, eventuais, choques e que, assim que a “tempestade” passe, terão a possibilidade de beneficiar da redução gradual nas prestações do seu crédito.

Sendo assim, o que podemos perpectivar como solução adequada neste momento, salvo o risco ainda assim inerente ao conselho, poderá passar, na maior parte dos casos, por se considerar uma solução “mista”, com prestação fixa de 3 a 5 anos, passando depois a indexada.

Com isto não estamos a dizer inequivocamente que este é o caminho a seguir, pois a melhor solução para cada caso continua a carecer de uma análise cuidada, caso a caso, e para isso melhor conselho continua a ser o de consultar um espcialista, que o acompanhará, com prós e contras para que se tome a decisão em posse da melhor informação possível.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Ver mais artigos

Clica nos tópicos para ver mais artigos

artigos relacionados

eventos

Comprar casa em Portugal

Direto

29 fevereiro 2024

18H

Hora
europa
central

artigos em destaque

conferências

Conferência Regressar a Portugal a partir do Luxemburgo

Conferências

27 de abril de 2024

Hora
europa
central

útimos artigos

Outros artigos que podem ser do seu interesse

Sabe como calcular a CEAL?

Soluções
Fiscais
17 Janeiro 2024
regressar-a-portugal

Poupar nos impostos durante 10 anos para pensionistas que regressam a Portugal, está a chegar ao fim

Soluções
Migratórias
17 Janeiro 2024
pedido-da-reforma-em-portugal

Pedido da reforma em Portugal

Soluções
20 Dezembro 2023